Casos de dengue caem 34,2% no Brasil


Entre 2008 e 2009, redução também foi observada nas formas graves e nas mortes causadas pela doença. Apesar do balanço positivo, ministro reforça importância de manter ações de controle da doença

O número de casos de dengue registrados no Brasil em 2009 caiu 34,2% em relação a 2008. De janeiro a dezembro do ano passado, o país teve 529.237 notificações, ante 803.522 em 2008 (veja tabela abaixo). A redução foi observada em 16 estados e no Distrito Federal. O Rio de Janeiro registrou a maior queda (95,7%), seguido do Rio Grande do Norte (91,4%) e Sergipe (89,6%). Os estados de Rondônia, Acre, Amapá, Piauí, Bahia, Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Mato Grosso apresentaram aumento no número de casos.

Também houve queda nos casos graves da doença, que passaram de 22.193 para 8.223, no comparativo entre os últimos dois anos, representando uma diminuição de 63%. Esses casos correspondem à soma dos registros de Dengue com Complicações (DCC) e Febre Hemorrágica de Dengue (FHD).

Os casos de DCC são pessoas que tiveram complicações decorrentes da doença, mas que não chegaram a ter um quadro classificado como dengue hemorrágica. Separando essas duas formas graves da doença, os casos de DCC tiveram redução de 66,9%, passando de 17.961 para 5.952. No caso da FHD, a queda foi de 46,4%, passando de 4.232 registros para 2.271.

O levantamento revela, ainda, redução de 39% nas mortes em decorrência da dengue. Em 2009, houve 298 óbitos, sendo 154 por FHD e 144 por DCC. Em 2008, foram registradas 491 mortes (229 por FHD e 262 por DCC). Destaca-se que nos estados do Amapá, Tocantins, Pernambuco e Paraná, mesmo com registro de casos graves da doença, as Secretarias Estaduais de Saúde não notificaram mortes.

Apesar do balanço positivo, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, reforça a importância de manter as ações de controle da doença nos estados e municípios. “Os números são resultado da mobilização de toda a sociedade. Agora, todos devem estar unidos no combate à dengue por meio de medidas de prevenção e controle dos criadouros do mosquito”.

O balanço foi feito a partir de dados informados pelas Secretarias Estaduais de Saúde até 22 de janeiro de 2010. Caso haja alguma atualização nos estados, os números ainda podem sofrer alteração.

REFORÇO NOS ESTADOS – As informações sobre a doença em janeiro de 2010 ainda estão sendo consolidadas pelas Secretarias Estaduais de Saúde. A partir de dados preliminares de dezembro de 2009 e janeiro de 2010, enviados pelos estados, o Ministério da Saúde vem realizando monitoramento técnico e reforço de ações de controle da doença em cinco estados que indicaram aumento recente nos casos da doença: Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

A organização da rede de assistência aos pacientes com suspeita de dengue, a adequação de planos locais de contingência às Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue (lançado em julho de 2009) e o envio de medicamentos e insumos estratégicos são o foco das ações nos cinco estados. Também são avaliados os reforços nas ações de eliminação de criadouros de larvas do Aedes aegypti e de combate aos mosquitos adultos, além da preparação de material para campanhas locais de mídia.

Rondônia – Nas últimas semanas de 2009 e primeiras de 2010, equipes do Ministério estiveram em Rondônia e prestaram assessoria técnica em vigilância epidemiológica, controle de vetores e assistência. Os técnicos visitaram unidades de saúde, fizeram uma busca ativa de casos e elaboraram, em conjunto com a Secretaria Estadual, um plano de ação para controle de infestação pelo mosquito. Além disso, o Ministério da Saúde enviou medicamentos (sais de reidratação e paracetamol), material de mídia para campanhas localizadas, inseticidas e equipamentos da reserva estratégica nacional.

Acre – As ações no estado concentraram-se na elaboração de planos de contingência segundo as Diretrizes Nacionais para a Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, plano de ação de controle vetorial, organização da rede de assistência e envio de medicamentos e inseticidas.

Mato Grosso e Mato Grosso do Sul – Nos dois estados, a assessoria técnica realizada em dezembro e com continuidade em janeiro concentra seu foco em ações de vigilância epidemiológica, controle do vetor da doença (o mosquito) e assistência. Técnicos das Secretarias Estaduais e do Ministério irão revisar os planos de contingência estaduais. Haverá, ainda, a revisão do plano de ação para atividades de controle vetorial e visitas a unidades de saúde. No Mato Grosso do Sul, as equipes também irão elaborar uma estratégia de resposta coordenada para a Secretaria Estadual de Saúde e a Secretaria Municipal de Campo Grande. O estado vem recebendo remessa extra de medicamentos (sais de reidratação e paracetamol), inseticidas e material para campanha de mídia localizada. Para Mato Grosso, além de medicamentos e inseticidas, o Ministério também enviará este mês equipamentos de aplicação de inseticida.

Goiás – O estado solicitou envio de medicamentos e inseticidas para reforçar o atendimento aos pacientes e o controle do mosquito. Neste mês, a equipe do Ministério, além da assessoria técnica semelhante à dos outros dois estados do Centro-Oeste, realizará um diagnóstico de situação e identificação das áreas com alta transmissão de dengue. A elaboração do plano de ação para combate ao Aedes aegypti para a capital foi extensiva a Aparecida de Goiânia.

Além desses cinco estados, Minas Gerais recebeu assessoria técnica em janeiro e São Paulo solicitou envio de inseticidas e equipamentos da reserva estratégica do Ministério para conter a infestação pelo mosquito transmissor em alguns municípios que também registraram aumento de casos. Veja abaixo o envio detalhado de inseticidas, larvicidas e equipamentos para os estados.

Inseticidas, larvicidas e equipamentos enviados aos estados

Rondônia
9.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.000 quilos de Temephos²
3.600 quilos de Cipermetrina¹
10 nebulizadores portáteis motorizados
12 borrifadores manuais
5 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê

Acre
7.500 cargas de Alfacipermetrina¹
1.280 litros de Deltametrina¹
15.000 quilos de Temephos²
20 quilos Diflubenzuron²

Mato Grosso
6.000 cargas de Alfacipermetrina¹
6.380 litros de Deltametrina¹
30.000 quilos de Temephos²

Mato Grosso do Sul
33.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.700 litros de Deltametrina¹
500 litros de Cipermetrina¹
50 quilos de Diflubenzuron²
16.000 quilos de Temephos²
25.021 quilos de BTI²
6 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê

Goiás
7.500 cargas de Alfacipermetrina¹
2.100 litros de Deltametrina¹
300 quilos de Diflubenzuron²
6.000 litros de Malathion¹
170.000 quilos de Temephos²

Minas Gerais
106.500 quilos de Temephos²
5.000 cargas de Alfacipermetrina¹
2.000 litros de Deltametrina¹
8.000 litros de Malathion¹
460 quilos de Diflubenzuron²
6.000 quilos Fenitrothion¹
26 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê

São Paulo
2.800 cargas de Alfacipermetrina¹
17.000 litros de Malathion¹
13.682 quilos de BTI²
4.000 quilos de Fenitrothion¹
15.000 quilos de Temephos²
8 equipamentos de nebulização acoplados em veículos para fumacê

¹ Inseticida (para mosquito adulto)
² Larvicida (para criadouros do mosquito)


AÇÕES DE CONTROLE DA DENGUE NO PERÍODO 2009/2010

MAPA DO MOSQUITO – Em novembro do ano passado, o Ministério da Saúde divulgou os resultados do Levantamento de Índice Rápido de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa), realizado em 163 municípios de todas as regiões do Brasil. O mapeamento revelou que 10 cidades estão em situação de risco de surto da doença, por terem apresentado larvas do mosquito em mais de 3,9% dos imóveis pesquisados. Outros 102 municípios, incluindo 17 capitais, estão em situação de alerta (índice de infestação entre 1% e 3,9%).

Leia mais sobre o LIRAa 2009 no texto Saúde divulga novo mapa do mosquito da dengue. Os resultados do LIRAa em cada estado também estão disponíveis na capa do portal do Ministério (www.saude.gov.br).

CARAVANA – Também em novembro, o ministro José Gomes Temporão iniciou um ciclo de visitas a nove estados para mobilizar gestores e profissionais de saúde, além de comunicadores e formadores de opinião, no reforço das ações de combate à dengue. Ao todo, foram percorridos mais de 10 mil quilômetros, entre os estados de Pernambuco, Bahia, Ceará, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazonas, Mato Grosso, Espírito Santo e Mato Grosso do Sul.

CAMPANHA – Em outubro do ano passado, o Ministério lançou a Campanha Nacional de Combate à Dengue 2009/2010. Com o tema “Brasil Unido contra a Dengue”, a iniciativa dá continuidade às ações de prevenção e enfrentamento da doença realizadas no país, desde 2008. Com quatro filmes de TV e cinco spots para incentivar a mobilização social, a medida considera que as ações de prevenção e combate à dengue devem ser mantidas durante os períodos de baixa transmissão e reforçadas nas épocas de pico, para que o número de casos e óbitos não volte a aumentar.

INVESTIMENTO – Em 2009, além de manter a incorporação de R$ 128 milhões ao Teto Financeiro de Vigilância em Saúde (TFVS), o Ministério da Saúde investiu R$ 914,1 milhões em campanhas publicitárias, equipamentos e insumos, medicamentos e capacitação, entre outras atividades. O Teto Financeiro é um conjunto de recursos utilizados por estados e municípios no combate de diversas doenças, como dengue, tuberculose, malária e hanseníase.

INSUMOS ESTRATÉTIGOS – Para combater o mosquito, o Ministério mantém estoque estratégico de medicamentos, inseticidas e equipamentos. Em 2009, o governo federal adquiriu 2,77 milhões de unidades de paracetamol (gotas e comprimidos), 2,03 milhões de frascos de soro fisiológico injetável e 562,7 mil envelopes de sais de reidratação oral. Eles são enviados aos estados e municípios de acordo com as demandas.

Outros 250 mil litros de inseticidas e 3,5 toneladas de larvicidas serão distribuídos ao longo das ações de controle vetorial. Também há 6,5 mil kits de diagnósticos, suficientes para a realização de 170 mil exames. Além disso, em caso de necessidade, o Ministério da Saúde poderá colocar à disposição uma reserva estratégica de 77 nebulizadores costais motorizados e 142 equipamentos de fumacê.

ASSESSORIAS TÉCNICAS – Durante todo o ano passado, foram realizadas, em parceria com as Secretarias Estaduais de Saúde, visitas de apoio técnico, capacitação e supervisão no Distrito Federal e nos seguintes estados: AC, CE, PA, MA, PB, RO, SC, RR, SP, RJ, MS, RN, MT, PE, PI, BA, ES, TO, AP, GO, SE, MG, PR, AL, AM.

DIRETRIZES – Em julho de 2009, o Ministério lançou as Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue, um documento inédito elaborado em parceria com estados e municípios para unificar as ações de vigilância e assistência em saúde em todo o país. Desde então, o Ministério distribuiu o material para 300 mil médicos, 292,4 mil enfermeiros e 1,3 mil operadoras de planos de saúde.

O kit contém CD-ROM, manual, folder e cartaz, que orientam sobre aspectos clínicos, mitos e erros sobre a doença e classificação de risco dos pacientes. Além disso, técnicos do Ministério da Saúde visitaram 12 estados (PA, MA, PB, RO, SC, RR, PI, ES, TO, RN, MT e CE) para oferecer apoio na adequação dos planos de contingência locais às Diretrizes.
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